Marvel's Spider-Man, herói ou ameaça?


Marvel’s Spider-Man, da Insomniac Games em parceria com a Marvel. Tem como proposta redimir os jogos recentes do Aracnídeo e trazer novos ares para a franquia e para o gênero como um todo. O jogo se liberta das amarras de contar a história de origem do herói, trazendo um Peter Parker com oito anos de experiência. E justo quando ele pensava que poderia aposentar o manto de super-herói, uma nova ameaça surge, fazendo com que as vidas de Homem-Aranha e Peter Parker se colidam.

Levando em consideração às últimas adaptações do personagem para os games, as expectativas seriam beeeeem baixas.
Os dois últimos jogos do Homem-Aranha foram baseados nos dois filmes da franquia O Espetacular Homem-Aranha, filmes que não foram sucesso de bilheteria, assim como suas adaptações para os games.


Nesse jogo, acredite se quiser, ele soltava teias no céu.

Mas tanto a Insomniac Games quando a Marvel, tinham outra ideia em mente. Ao invés de adaptar o filme mais recente, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, para os games. Eles decidiram criar uma história original para Marvel’s Spider-Man, sem depender de nenhuma influência externa. E apesar de existirem sim referências tanto aos filmes quanto a histórias já contadas nos quadrinhos, eles conseguem muito bem apresentar uma ótima história original do Aranha, sem se precisar adaptar nenhuma antes vista (isso já havia acontecido com outros jogos da geração passada do personagem).

Spider-Man 2, PS2




Spider-Man: Web of Shadows, Shattered Dimensions e The Edge of Time contavam com enredos originais sem adaptar nenhum filme e acabaram se saindo relativamente bem nas críticas. Mas até então, nenhum superou o excelente Spider-Man 2, baseado no filme de 2004, dirigido por Sam Raimi. Apesar dos limites de hardware do Playstation 2, entregar pizzas, se balançar por Nova York e recuperar balões perdidos era extremamente divertido.

Será que Marvel’s Spider-Man poderia tirar o reinado de Spider-Man 2 ?


A resposta, você confere a seguir.


Vou começar por uma das coisas que sempre me marcou, se tratando de Homem-Aranha: a trilha sonora. Acho que não estou errado em dizer que a maioria das pessoas conhecem ou se lembram logo quando ouvem o tema composto por Danny Elfman para a trilogia original do Aracnídeo, lançada em 2002, dirigida por Sam Raimi. A percussão logo no começo é memorável.

  

Em Marvel’s Spider-Man, a trilha fica a cargo de John Paesano, que em um vídeo publicado pouco depois do lançamento do jogo, disse que foi criado um tema para o Peter Parker, e depois, foi como se “tivessem colocado uma roupa de super-herói” na música. O tema pode ser ouvido logo quando se abre o jogo, durante as vinhetas da Insomniac e da Marvel, nos preparando para o que está por vir.

O tema me trouxe uma sensação parecida com a que o de Danny Elfman me passava. Gruda na cabeça, é memorável, épico e tem o tom perfeito para um jogo do personagem. Na minha opinião, é melhor que o tema composto por Michael Giacchino para Homem-Aranha: De Volta ao Lar, e não estou falando da homenagem ao tema original que toca durante a vinheta da Marvel Studios.

O jogo então começa com uma ótima abertura. Sua primeira cena é digna de um a página de quadrinhos clássicos do personagem, mostrando uma aranha se balançando numa teia.
Peter, até então dormindo, é alertado sobre algo acontecendo no prédio de Wilson Fisk (o Rei do Crime). A sequência seguinte é com certeza uma das cenas mais empolgantes que já vi em um jogo. A música Alive, da banda Warbly Jets, começa, com Peter correndo para tomar seu café da manhã nada reforçado e colocar seu uniforme não lavado de Homem-Aranha. Uma cena típica na vida de Peter Parker.
Ele vê um alerta de aluguel atrasado, mas ao ouvir as sirenes, se lembra do que deve fazer e se joga da janela ao mesmo tempo em que a música fala: “It's been up and down, but I know I'm fine, I'll take my time...I’m alive”.


Somos apresentados pela primeira vez ao web swinging do jogo. Tudo se resume a três botões (R2, L2 e X) para nos balançarmos através dos prédios de Manhattan. Tudo de forma fluida, imersiva e com uma curva de aprendizado bem rápida.
Não demora para pegar o jeito e conseguir se movimentar sem pausas pela cidade.
O diretor Brian Intihar disse em entrevista que um dos objetivos da equipe era fazer com que nada fosse um obstáculo na frente do jogador durante a movimentação, e isso foi alcançado com excelência.

 

A interface tecnológica do traje se encaixa perfeitamente no contexto do jogo. Afinal, Peter Parker tem 23 anos nesse universo, e quase uma década de experiência como Homem-Aranha. No filme De Volta ao Lar, Peter recebe a roupa de Tony Stark sem nem ter dominado completamente suas habilidades. 

Apesar de ainda existirem comparações com a aclamada série Arkham, o combate em Marvel’s Spider-Man tem sua própria personalidade. Claro, existe sim um botão para desviar dos ataques de inimigos, mas graças ao Sentido-Aranha, isso faz sentido. Ao contrário da série Arkham, o Homem-Aranha não contra-ataca imediatamente seus inimigos ao esquivar de seus ataques, na verdade, o jogo nos incentiva a escolher nosso modo de combate. Seja para continuar o combo nos outros inimigos, imobilizar o que nos atacou utilizando a teia, arremessar objetos para derrubar os adversários próximos... A escolha é do jogador. Como o gênio que é, e com oito anos de experiências, era de se esperar que Peter Parker desenvolveria gadgets para ajudar na luta contra o crime. No jogo, temos acesso à inúmeros deles: um drone que eletrocuta inimigos, uma teia de impacto para jogá-los longe, uma teia elétrica, uma granada de teia de imobiliza vários inimigos em uma área entre outros um pouco mais táticos, como a Armadilha de Teia. Você pode usá-la durante o combate corpo-a-corpo para fazer inimigos prenderem uns nos outros, ou durante momentos mais furtivos, para emboscar inimigos distraídos e prendê-los nas paredes.
O improviso é o foco do combate em Marvel’s Spider-Man.

 

A história nos prende desde o início, nos fazendo querer saber mais e mais o que vai acontecer depois. Todos os personagens são introduzidos de forma espetacular e as reviravoltas tem um timing perfeito. A atuação dos protagonistas convence principalmente nas cenas de drama.
Assim como em Homem-Aranha 2 (2004), o enredo do jogo faz com que a vida dupla de Peter entre em conflito. Ele se atrasa no trabalho, não consegue pagar as contas e está separado de Mary Jane há pelo menos 6 meses.
A dublagem em português do Brasil (com a qual joguei até o final) é muito boa. A atuação é ótima tanto quanto a dublagem original que pudemos acompanhar em trailers e gameplays. A única crítica vai para a localização dos nomes dos personagens...A Marvel decidiu não localizar para o Brasil, então, Homem-Aranha continua sendo Spider-Man, Abutre, Vulture, Senhor Negativo é retratado no jogo como Mister Negative mesmo na dublagem nacional e assim vai...Pode causar algum estranhamento no início. Mas é fácil se acostumar e não interfere na experiência de jogo.

 

Se tratando de um jogo em mundo aberto, ele acaba caindo em algumas armadilhas do gênero. Apesar de ser repleto de colecionáveis e missões paralelas, talvez esses objetivos à parte da história principal pudessem ter recebido atenção extra, principalmente as missões paralelas. Ainda assim, o jogo não deixa a desejar, fazendo com que o jogador tenha vontade de coletar as mochilas espalhadas pelo mapa para ouvir os comentários do Aranha sobre o que estiver dentro, tirar fotos dos monumentos de Nova York para encontrar os easter eggs do Universo Marvel, encontrar todos os gatos deixados pela Gata Negra para descobrir o que vai acontecer (acredito que seja uma preparação para a primeira DLC do jogo). Ou até mesmo derrotar bandidos pela diversão e diversidade do combate.

A Nova York de Marvel’s Spider-Man é um dos cenários de um jogo mundo aberto mais bonitos e detalhados que já vi. Mesmo tendo jogado num PS4 convencional, o visual impressiona desde o início. Lembro de que na primeira cutscene do jogo, me assustei quando a transição para o gameplay foi imperceptível. Não havia diferença nos gráficos da cutscene e da gameplay.

 
Os prédios refletem o ambiente ao seu redor, inclusive o próprio Homem-Aranha. É possível ver o interior das janelas quando passamos por perto e a cidade iluminada durante a noite é tão impressionante quanto é durante o dia.

Os NPCs fazem a cidade parecer mais viva. É possível encontrá-los lendo, jogando basquete, fazendo ginástica no Central Park, conversando em festas nas varandas de prédios mais luxuosos ou até mesmo trabalhando. Quando nos aproximamos, é possível apertar o botão de ataque para interagir com eles, o Homem-Aranha fará sinais ou algum comentário aos cidadãos de Nova York, que reagirão de forma positiva, pedindo selfies ou negativa, nos xingando ou caindo de susto.

Num jogo do Homem-Aranha, não podiam faltar as roupas desbloqueáveis. Mas, diferente de jogos anteriores, Marvel’s Spider-Man faz o mesmo que a Neversoft fez no clássico para PS1: As roupas têm habilidades específicas que são desbloqueadas com elas, ao invés de serem apenas itens cosméticos.
E, caso você não goste do visual de uma roupa, mas goste da habilidade, pode equipá-la em outra roupa que te agrade mais. Por exemplo: é possível usar as patas mecânicas do traje do Aranha de Ferro de Vingadores: Guerra Infinita no traje Noir do personagem.

 

O modo foto, adicionado no primeiro update do jogo, nos permite tira belas capturas de tela do jogo, adicionando bordas que podem ser uma capa de quadrinho, ou uma página de jornal. Ou stickers engraçadinhos, a criatividade é quem manda.



Com excelentes gráficos, uma ótima história e um combate um tanto quanto inovador,
Marvel’s Spider-Man traz novos ares e uma esperança de um futuro melhor para uma franquia de jogos que parecia estar perdida, além de uma esperança para sequência (fique para as cenas pós-créditos). A Insomniac Games, a Marvel e a Playstation conseguiram nos dar o que até agora, é a experiência definitiva de viver na pele do Cabeça de Teia.


 


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